Sou admirador e degustador de futebol. Explico, admiro o esporte primeiro pelo que representa enquanto pilar de interesse e transformação da sociedade e segundo porque é emocionante pra caralho, mesmo. Não tem nada que consiga reunir tanta gente junta em torno de um mesmo objetivo, para festejar.
No embalo do conteúdo do MIGALHAS, coloco um pouco mais para deixar o nosso amigo de Mountain View, California, satisfeito e sempre alimentado de informações desse blog.
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O futebol é a alegria do povo. A liturgia da descontração, da
solidariedade, do aplauso e do apupo, da criatividade e da
descontração. Futebol é festa ! E clímax. Choro e tristeza. A coluna,
hoje, será enriquecida pela linguagem vinda dos campos. Desde já, o
meu abraço solidário aos queridos jogadores, a quem se atribuem as
pérolas abaixo. Enviadas por um tal de Carlos Alberto Albuquerque.
/"Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da
VARIG."/ (Mengálvio, ex-meia do Santos, em telegrama à família quando
em excursão à Europa)
/"Tanto com a minha vida futebolística quanto com a minha vida
humana."/ (Nunes, ex-atacante do Flamengo, em uma entrevista antes do
jogo de despedida do Zico)
/"As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe."/ (Dunga, em
entrevista ao programa Terceiro Tempo)
/"Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja."/
(Jardel, ex-atacante do Grêmio)
/"A partir de agora o meu coração só tem uma cor : vermelho e
preto."/ (Jogador Fabão, assim que chegou no Flamengo)
/"Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui
fondo e chutei pro gol."/ (Jardel, ex-jogador do Vasco e Grêmio, ao
relatar ao repórter o gol que tinha feito)
/"Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu."/
(Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar em Belém do
Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de
72)
/"Que interessante, aqui no Japão só tem carro importado."/
(Jardel, ex-atacante do Grêmio)
/"A bola ia indo, indo, indo... e iu !"/ (Nunes, jogador do
Flamengo da década de 80)
/"Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola."/
(Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo)
/"Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe." / (Jardel,
ex-atacante do Vasco, Grêmio e da Seleção)
/"Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático
e gramático."/ (Vicente Matheus, quando presidia o Corinthians)
/"O meu clube estava a beira do precipício, mas tomou a decisão
correta, deu um passo a frente."/ (João Pinto, jogador do Benfica de
Portugal)
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Sinceridade e Sagacidade
Diariamente recebo uma newsletter feita por adEvogados e para adEvogados chamada MIGALHAS, que já deve ter muitos anos porque tá no número 2270. (Não, não sou advogado). É meio mala e pedante, como não poderia deixar de ser, mas às vezes tem coisas bacanas, como a fabuleta/causo abaixo.
Sinceridade e Sagacidade
Zé Cavalcanti, ex-deputado paraibano, conta em seu livro "A
Política e os Políticos", que um coronel do sertão, ao passar o
comando de seus domínios para o filho, aconselhou :
-Meu rapaz, se queres ser bem sucedido na política, cultiva estas
duas verdades : a sinceridade e a sagacidade.
-O que é sinceridade, meu pai ?
- É manter a palavra empenhada, custe o que custar.
- E o que é sagacidade ?
- É nunca empenhar a palavra, custe o que custar.
Sinceridade e Sagacidade
Zé Cavalcanti, ex-deputado paraibano, conta em seu livro "A
Política e os Políticos", que um coronel do sertão, ao passar o
comando de seus domínios para o filho, aconselhou :
-Meu rapaz, se queres ser bem sucedido na política, cultiva estas
duas verdades : a sinceridade e a sagacidade.
-O que é sinceridade, meu pai ?
- É manter a palavra empenhada, custe o que custar.
- E o que é sagacidade ?
- É nunca empenhar a palavra, custe o que custar.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Incroyable
Vi na televisão na sexta na hora do almoço. Era o boneco grafitado num muro do Vale do Anhangabaú que ganhava vida no meio de uma multidão ali mesmo, conceito de sair do papel e tomar formas reais. Um gigante inflável marchando no meio da galera. Intervenção da trupe francesa (desculpa, mas ainda não aprendemos isso) Les Plasticiens Volants em parceria com a dupla osgemeos, artistas oriundos do grafiti (isso não só aprendemos, como damos show pelo mundo). Reta final de Ano da França no Brasil, e junto com um show de Siba e a Fuloresta, com participação de Zeca Baleiro, era o happy hour light perfeito para uma sexta-feira caliente de primavera.
Instigado que fiquei para ver aquilo, mandei email chamando a galera. Nego não se animou muito, talvez por ser no centro ainda afaste as pessoas (certeza que se falasse que era no MASP iria mais gente), ou minha companhia não anda muito em alta. Baixei no Anhangabaú para, sem saber, viver uma das coisas mais marcantes até hoje.
Que mágico aquilo, lúdico, poético. Sei lá, essas fotos podem dar uma idéia, mas o som, as luzes, o claor humano, os sorrisos e olhares encantados que se cruzavam intensos. Foi marcante, maior que palavras. Um teatro, um enredo, aquele boneco me pareceu vivo em vários momentos, lamentei a quase morte dele, a serpente descendo Praça Ramos de Azevedo deu tensão a tudo aquilo. Como criança, sorri. Como criança me arrepiei.Fiquei besta, fiquei bobo. Quem viu, viu.

Crédito das fotos: Bob Kerr Jr
Tá explicado o apagão
From: Montgomery Burns [mailto: Mr.Burns@springfieldnuclearplant.com ]
Sent: terça-feira , 09 de novembro de 2009 15:38
Subject: Organizational Annoucement
Dear all,
This morning our employee Homer J. Simpson decided to leave Springfield Nuclear Plant.
Please join me in wishing good luck in his new role in Itaipu - Brazil.
Mr. Burns
Sent: terça-feira , 09 de novembro de 2009 15:38
Subject: Organizational Annoucement
Dear all,
This morning our employee Homer J. Simpson decided to leave Springfield Nuclear Plant.
Please join me in wishing good luck in his new role in Itaipu - Brazil.
Mr. Burns
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Alheio
Eu não estava num elevador. Não estava no carro. Nem no Metrô. Não estava no trânsito. Sequer estava numa avenida movimentada. Nem numa porta de faculdade. Nem num buteco. Muito menos num restaurante. Não estava com uma mulher. Menos ainda com um cara. Não estava ao ar livre. Nem estava ocupado.
"Onde você estava?" Não tem pergunta mais 11 de setembro que essa. E depois do apagão na noite do último dia 10, voltou pro rol das mais frequentes. E malas.
Terça foi punk, fui um monge no trabalho, ouvi cada coisa, tipo um nível bem pesado. Fiquei quieto, mas descontei em quem não devia fora do trabalho, falei o que não devia, exagerei. Um mea-culpa aqui. Você sabe que é pra você. Tudo o que eu queria era calma, e lá estava eu, às 22h15 no melhor lugar em que poderia estar naquela terça-feira abafada com pinta de noite de verão em que muito trabalho, nhenhenhéns demais e resoluções de menos me tiraram o humor e as energias. Era lá que eu estava. Sofá da sala, janela aberta.
Tava pra começar o Furo MTV. O prato estava quente no meu colo, fome de dia todo. Tinha bife de ontem, ainda bom, suflê de ontem e mais alguma coisa antiga. Tava bom, juro, bem molhadinho, saboroso. A luz piscou. Olhei meio assim. Pernas estendidas no puf, o prato impedindo qualquer movimentação. "Pô, justo agora vai acabar a luz? Tenho mesmo que levantar pra tirar tudo da tomada? Será que ainda tem vela no armário da cozinha? Ah, acho que já já volta".
Achadas as velas, acostumadas as retinas, esfriada a comida, terminado o prato, interrompido os pensamentos mancos daquele fim de dia digno de ostracismo, escovei os dentes. Afinal, ainda tinha água na torneira sem saber que o "ainda" era "por enquanto". O escurinho ajudou a proporcionar um bocejo, reação em cadeia. Sonhei com alienígenas chegavam na terra, e quando acordei nem sonhava que o caos estave instalado. De verdade. E sem extra-terrestres. Gente dormindo na rua, sem conseguir ligar para casa, medo, pânico, do mesmo diretor de Independence Day e Guerra dos Mundos.
Todo mundo tem uma história do apagão. Menos eu.
"Onde você estava?" Não tem pergunta mais 11 de setembro que essa. E depois do apagão na noite do último dia 10, voltou pro rol das mais frequentes. E malas.
Terça foi punk, fui um monge no trabalho, ouvi cada coisa, tipo um nível bem pesado. Fiquei quieto, mas descontei em quem não devia fora do trabalho, falei o que não devia, exagerei. Um mea-culpa aqui. Você sabe que é pra você. Tudo o que eu queria era calma, e lá estava eu, às 22h15 no melhor lugar em que poderia estar naquela terça-feira abafada com pinta de noite de verão em que muito trabalho, nhenhenhéns demais e resoluções de menos me tiraram o humor e as energias. Era lá que eu estava. Sofá da sala, janela aberta.
Tava pra começar o Furo MTV. O prato estava quente no meu colo, fome de dia todo. Tinha bife de ontem, ainda bom, suflê de ontem e mais alguma coisa antiga. Tava bom, juro, bem molhadinho, saboroso. A luz piscou. Olhei meio assim. Pernas estendidas no puf, o prato impedindo qualquer movimentação. "Pô, justo agora vai acabar a luz? Tenho mesmo que levantar pra tirar tudo da tomada? Será que ainda tem vela no armário da cozinha? Ah, acho que já já volta".
Achadas as velas, acostumadas as retinas, esfriada a comida, terminado o prato, interrompido os pensamentos mancos daquele fim de dia digno de ostracismo, escovei os dentes. Afinal, ainda tinha água na torneira sem saber que o "ainda" era "por enquanto". O escurinho ajudou a proporcionar um bocejo, reação em cadeia. Sonhei com alienígenas chegavam na terra, e quando acordei nem sonhava que o caos estave instalado. De verdade. E sem extra-terrestres. Gente dormindo na rua, sem conseguir ligar para casa, medo, pânico, do mesmo diretor de Independence Day e Guerra dos Mundos.
Todo mundo tem uma história do apagão. Menos eu.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Post que não sai do forno
Sabe quando sobra matéria prima, mas falta tempo pra transformar?
Essa foi um semana de silêncio, muito trabalho, investimento, muita coisa por vir.
Uma hora sai. Uma hora tudo sai. E aí quem sabe até nossos Leitores da Casa do Chapéu saiam da toca, né Mr. Mountain View, Mr. Atlanta, Mr. Nagoya ou Mr. Lisboa. Tá todo mundo convocado a mandar um email para ser entrevistado aberta ou anonimamente. Perguntas definitivamente não faltam, já tempo...
Essa foi um semana de silêncio, muito trabalho, investimento, muita coisa por vir.
Uma hora sai. Uma hora tudo sai. E aí quem sabe até nossos Leitores da Casa do Chapéu saiam da toca, né Mr. Mountain View, Mr. Atlanta, Mr. Nagoya ou Mr. Lisboa. Tá todo mundo convocado a mandar um email para ser entrevistado aberta ou anonimamente. Perguntas definitivamente não faltam, já tempo...
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Esse dia vai ser seu um dia
Não me lembro a última vez que passei Finados em Sampa, 2 de novembro normalmente é na praia, com chuva. Mas esse ano, mesmo sabendo do sol inédito que ia fazer, me empenhei pra ficar e tentar fazer algumas fotos, aproveitandoa a luz do fim de tarde, pra mim sem igual.
Admito que tenho muito mais medo de um passeio na Vila Olímpia, povoada por seus blasés que quase me ferem com seus narizes arrebitados que de qualquer cemitério, com suas tumbas plácidas, tranquilas. Morto tá morto e tá de boa. Deve ser uma ótima ser morto, sério. Não tem conta pra pagar, não patrão, não tem doença, não tem unha encravada. Já pensou por esse lado?
Então foi isso, segundona de alguns cliques no cemitério da Consolação.
Admito que tenho muito mais medo de um passeio na Vila Olímpia, povoada por seus blasés que quase me ferem com seus narizes arrebitados que de qualquer cemitério, com suas tumbas plácidas, tranquilas. Morto tá morto e tá de boa. Deve ser uma ótima ser morto, sério. Não tem conta pra pagar, não patrão, não tem doença, não tem unha encravada. Já pensou por esse lado?
Então foi isso, segundona de alguns cliques no cemitério da Consolação.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Sobre chacretes e panicats

Estréia do filme Alô Alô Terezinha, Reserva Cultural. Cheguei com boa antecedência. Saco umas câmeras, balbúrdia e logo entendo que estão Silvio e Vesgo gravando pro Pânico na TV. Ok. Vesgo vestido de Chacrinha. Ok. Panicats vestidas de chacretes. Ok. Não me lembro de ter visto mulheres-objeto tão bem lapidadas como elas, realmente gostosíssimas e dançando no lugar, sem música, vale ressaltar. Verdadeiros bibelôs, artigos de design para contemplar. De mentira? Claro que sim, mas se ficção não fosse bacana, George Lucas ainda seria produtor de garagem. Enfã, após os primeiros instantes embasbacado olhando praqueles glúteos de meu deus, me peguei pensando:
- O que elas pensam? Será que elas pensam? Será que alguém tem que pensar por elas? Pensam no futuro? Pensam que a estética é efêmera? Sabem o que significa “efêmera”?
Enquanto os dois humoristas faziam piadas bizarramente sem graça com os convidados, especialmente desdenhando do atual estado das carcaças das antigas assistentes de palco de Abelardo Barbosa, as duas panicats dançavam incessante e agonizantemente no lugar, sempre sem música. Eu me pensava:
- No que elas estão pensando?
Tudo isso é de se esperar, bem previsível. Eu só não sabia que era estréia quando meu amigo chamou. Beleza, o filme era pra começar às 21, depois às 21h30, mas foi só meia hora depois que começou. Não sem antes o diretor aparecer na frente da sala escoltado por meia dúzia de chacretes de verdade, já sessentonas, incluindo Rita Cadilac e Monique Evans, que consegue ser mais vulgar que todas juntas.
O filme é bom e não é uma biografia do Chacrinha, acredite. Mostra como circularam e como tanta gente foi influenciada por seu universo. É a história das expectativas e dos sonhos dos artistas, calouros e assistentes que andaram ao lado dele. Um retrato da decadência humana. Dá pra gargalhar, melhor que qualquer comedia. Mas dá pra se lamentar também. E eu saí pensando:
- Será que as panicats viram o filme? O que será que elas pensaram? Será que entenderam? Será que sabem o que é gravidade?
terça-feira, 27 de outubro de 2009
No pacote
Duas amigas pero no mucho se encontram depois de mais de 15 anos durante o casamento do filho mais velho de uma terceira amiga em comum.
- Nossa, quanto tempo!
- Pois é, como você tá?
- Bem, na medida do possível!
- Olha, como você tá magra!
- Você também tá ótima.
- E aí, casada ainda?
- Tô, na verdade com um novo marido, e você?
- Ótima, casada com minhas gatas, homem tá difícil, viu?
- Eu sei bem, é tanto problema. Mas meus seis cachorros também me fazem companhia.
- Seis? Precisa de um sítio pra ter seis cachorros.
- Ah, eles ficam num sítio lindo em Itapevi, que veio no pacote do casamento.
- Uau, o que mais veio no pacote?
- Um Mal de Parkinson, três pontes de safena e uma mamária.
- ...
- Nossa, quanto tempo!
- Pois é, como você tá?
- Bem, na medida do possível!
- Olha, como você tá magra!
- Você também tá ótima.
- E aí, casada ainda?
- Tô, na verdade com um novo marido, e você?
- Ótima, casada com minhas gatas, homem tá difícil, viu?
- Eu sei bem, é tanto problema. Mas meus seis cachorros também me fazem companhia.
- Seis? Precisa de um sítio pra ter seis cachorros.
- Ah, eles ficam num sítio lindo em Itapevi, que veio no pacote do casamento.
- Uau, o que mais veio no pacote?
- Um Mal de Parkinson, três pontes de safena e uma mamária.
- ...
domingo, 25 de outubro de 2009
Tem jeito?
A morte do coordenador do AfroReggae no domingo passado me deixou indignado a princípio. Porém, depois de ver as imagens dantescas protagonizadas pelo Capitão Bizarro, em que rouba e libera os ladrões/assassinos instante depois da ação, estou achando que morreu meu resquício de esperança de ver um dia o Rio incubar e difundir uma enraizada cultura de paz.
Esse vídeo foi feito hé muito tempo, quando trabalhei numa agência de propaganda que atendia patrocinadores do AfroReggae. Fomos visitar o trabalho deles nos núcleos do Complexo do Alemão, Parada de Lucas e Vigário Geral. Até hoje um dos dias mais bacanas que eu já vivi profissionalmente e como ser humano. Essa ONG é um puro exemplo de dedicação no corajoso propósito de dar uma nova saída àqueles que têm o tráfico como opção mais tentadora de futuro, ainda que todos saibam ser curto.
Estive lá há mais de 2 anos e rever essas imagens me lembrou de momentos marcantes, de sensações de esperança, de que "tem jeito". O Evandro aparece num frame na aultura dos 5'14", mas lembro que foi com ele que levei alguns dos melhores papos no decorrer daquele dia. Tinha um compromentimento com a idéia digno de comandante que acredita no seu navio até o fim. Infelizmente foi-se antes da embarcação, pelas mãos dos mesmos jovens cujas vidas tentava mudar diariamente. O barco continua e como quero acreditar que ainda "tem jeito".
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Breve história de Velório
Olhar sonolento, mas cheio de uma simpatia doce. Voz fina, lingua sutilmente presa, fala pausada, já pensaram que era gago, mas né não. Agora já calvo, contudo ainda tem charme, se é que brinco de pedrinha ainda pode ser considerado charme. Charm é o que ele fuma e o que exala dele, poroso. Foi atropelado três vezes em serviço, quem disse que é moleza ser aqueles operários que agitam bandeirinhas na estrada ou mesmo na cidade quando tem alguma obra na pista?
Antonio Carlos Ramos de Azevedo é nome de glamour, sobrenome de quem projeta edifícios-símbolo, marcos culturais. Mesmo dono de uma imponente nomenclatura, o sir é conhecido por toda a parte como Velório, a explicação há de vir mais abaixo. Claro que não apenas se fazia de quase morto, agitando flâmulas sem entusiasmo, vale frisar que pegava no duro também, peão mesmo. Como bem se sabe, tapar buracos não é arte, é ciência. E digamos que nosso herói era doutorando ou, quem sabe mais até, postulante a livre docente no tema.
A única possibilidade que se mostra para um acadêmico comum abandonar seu tema de estudo parece ser o tédio, uma enfadonha overdose do tema. Já no caso de Velório foram outras as razões de seu guinchamento. Por três vezes enquanto estava a serviço foi atropelado, após a última o médico deu um laudo que o o obrigaria a mudar de setor. Virou um carimbador de papel de luxo, office boy de 61 anos.
O que ele mais queria hoje de manhã era tapar um buraquinho, refazer uma capinha asfáltica aqui e ali, sentir o cheiro de piche do dever cumprido. Escrito assim parece até apetitoso, não? Mas no momento tem apenas uns carimbos a bater e processos a protocolar no departamento de cadastro de uma subprefeitura qualquer.
E tem amigos, claro. Joga conversa fora, conta piada, cartas de baralho e faz maço no truco. Sempre gostou de um mézinho de leve e foi numa noite mais embalada, muitos anos atrás que Antonio foi ao funeral da mãe de um colega de trabalho. No entanto, havia passado a tarde toda sorvindo água que babuíno não sorve. Na entrada do salão, sutilmente esbarrou no caixão. E como numa rima óbvia terminada em ão, foi velha prum lado, coroa de flores pro outro, ao melhor estilo pastelão. Pronto, o apelido grudou mais que piche em manta asfáltica.
Antonio Carlos Ramos de Azevedo é nome de glamour, sobrenome de quem projeta edifícios-símbolo, marcos culturais. Mesmo dono de uma imponente nomenclatura, o sir é conhecido por toda a parte como Velório, a explicação há de vir mais abaixo. Claro que não apenas se fazia de quase morto, agitando flâmulas sem entusiasmo, vale frisar que pegava no duro também, peão mesmo. Como bem se sabe, tapar buracos não é arte, é ciência. E digamos que nosso herói era doutorando ou, quem sabe mais até, postulante a livre docente no tema.
A única possibilidade que se mostra para um acadêmico comum abandonar seu tema de estudo parece ser o tédio, uma enfadonha overdose do tema. Já no caso de Velório foram outras as razões de seu guinchamento. Por três vezes enquanto estava a serviço foi atropelado, após a última o médico deu um laudo que o o obrigaria a mudar de setor. Virou um carimbador de papel de luxo, office boy de 61 anos.
O que ele mais queria hoje de manhã era tapar um buraquinho, refazer uma capinha asfáltica aqui e ali, sentir o cheiro de piche do dever cumprido. Escrito assim parece até apetitoso, não? Mas no momento tem apenas uns carimbos a bater e processos a protocolar no departamento de cadastro de uma subprefeitura qualquer.
E tem amigos, claro. Joga conversa fora, conta piada, cartas de baralho e faz maço no truco. Sempre gostou de um mézinho de leve e foi numa noite mais embalada, muitos anos atrás que Antonio foi ao funeral da mãe de um colega de trabalho. No entanto, havia passado a tarde toda sorvindo água que babuíno não sorve. Na entrada do salão, sutilmente esbarrou no caixão. E como numa rima óbvia terminada em ão, foi velha prum lado, coroa de flores pro outro, ao melhor estilo pastelão. Pronto, o apelido grudou mais que piche em manta asfáltica.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Morar no Brasil é...
Ser parado pela PM e tomar "aquela" geral no sábado.
Ser apresentado a um major e a um capitão na segunda.
O capitão bater continência para você.
!?!? sim, isso é Brasil pra caralho.
Ser apresentado a um major e a um capitão na segunda.
O capitão bater continência para você.
!?!? sim, isso é Brasil pra caralho.
Sobre euforia e realidade
Tá mais fácil eu ver o Corinthians ganhar uma Libertadores do que o Rubens ganhar em Interlagos. Ok, já me conformei. Precisava ter escutado minha avó, que ontem disse cautelosa diante do meu entusiasmo, 'não crie expectativas, filho'. E a danada tinha mais que razão. Fui me encolhendo no sofá volta após volta, erro de estratégia, a Brawn rendia pouco e a Red Bull do Webber estava com asas. Só o Kobayahsi me eletrizou, esse promete.
É verdade que o pneu furou, mas Rubens trocou, voltou pra pista e terminou a prova em oitavo. A torcida que vibrou na véspera com a pole era a mesma que teve bom senso suficiente para gritar seu nome no final. O retrato do Brasil se fez ali, confirmando a teoria do "Homem Cordial", de Sergio Buarque de Hollanda.
Curioso que no mesmo dia em que o humilde e calejado Barichello fez a pole position, o Rio de Janeiro estava em guerra. Pela 1ª vez eu um helicóptero da polícia foi abatido pelos traficantes, tantas e tantas vezes vi apreenderem armas anti-aéreas, finalmente entendeu-se que elas podem alvejar algo mais aéreo que um caveirão. Batalha pesada, uma mochila inteira com cartuchos deflagrados foi recolhida no local, oito ônibus incendiados, mais de 15 mortos. Tudo isso 2 semanas após a cidade fazer aquele belo teatro ao ser anunciada sede das Olimpíadas de 2016. Mas se o entusiasmo da festa do sábado serviu para consolar a frustração de domingo em Interlagos, tenha certeza que a guerra desde sábado não há nem de ser lembrada daqui a 7 anos.
É verdade que o pneu furou, mas Rubens trocou, voltou pra pista e terminou a prova em oitavo. A torcida que vibrou na véspera com a pole era a mesma que teve bom senso suficiente para gritar seu nome no final. O retrato do Brasil se fez ali, confirmando a teoria do "Homem Cordial", de Sergio Buarque de Hollanda.
Curioso que no mesmo dia em que o humilde e calejado Barichello fez a pole position, o Rio de Janeiro estava em guerra. Pela 1ª vez eu um helicóptero da polícia foi abatido pelos traficantes, tantas e tantas vezes vi apreenderem armas anti-aéreas, finalmente entendeu-se que elas podem alvejar algo mais aéreo que um caveirão. Batalha pesada, uma mochila inteira com cartuchos deflagrados foi recolhida no local, oito ônibus incendiados, mais de 15 mortos. Tudo isso 2 semanas após a cidade fazer aquele belo teatro ao ser anunciada sede das Olimpíadas de 2016. Mas se o entusiasmo da festa do sábado serviu para consolar a frustração de domingo em Interlagos, tenha certeza que a guerra desde sábado não há nem de ser lembrada daqui a 7 anos.
domingo, 18 de outubro de 2009
Rubinho é Brasil e eu sou Rubinho
No instante em que escrevo isso Rubinho tem a pole. Daqui a 10 minutos será dada a bandeirada. Ele está uma serenidade empolgante, meus olhos até marejaram, tamanho entusiasmo e placidez que o cara consegue ter segundos antes de entrar no carro. Assim que terminar a corrida, escreverei. Não sei se é por ser brasileiro, mas fui contagiado. Estou Rubinho demais às 13h55.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Nova seção: "Leitor da Casa do Chapéu"
Tem uma ferramenta bem interessante nesse contador aqui no cantinho direito: ele consegue mapear de onde estão entrando os (cinco) visitantes deste blog. Quase não sei qual a razão de a lista ser dominada por São Paulo/SP, mas vira e mexe aparecem lugares inusitadíssimos. E uma localidade que tem me chamado muito a anteção é Mountain View, Califórnia, com entradas recorrentes por aqui. Muito obrigado, mas não sei agradeço ou se lamento a sua 'perca' de tempo. Poxa, que honra ter gente lendo essas bobagens de tão longe.
Por isso, e por causa da minha frenética curiosidade eu queria inaugurar aqui uma seção neste instante batizada "Leitor da Casa do Chapéu" e nesse espaço eu gostaria de entrevistar um leitor X, sorteado a randomicamente, de acordo com a distância que está aqui desse escriba 171. Pode ser anonimamente, o objetivo é entender os anseios, as motivações, o sabor de chiclete preferido e os dissabores do leitor; e não saber quem é, o que faz ou quantos anos tem.
Caríssimo leitor de Mountain View, mesmo que sejas tímido, por favor me mande um email simplesmente se identificando e eu adoraria fazer-lhe perguntas sem propósito.
Caso o de Mountain View não entenda português, o de Anápolis, a de Londrina (ah, eu já sei quem é você! Mas dá uma bela entrevista) o de Little Rock, Arkansas, (Bill, is that you?), o de Montréal ou o de Dublin (Bono, again?) estão escalados desde já. Mandaí! Não fique tímido(a).
Yes this blog understands english but is lazy for translations.
Muito obrigado pela colaboração nesta ousada empreitada, que pode não dar em nada, pura e simplesmente.
felipemortara@gmail.com
Por isso, e por causa da minha frenética curiosidade eu queria inaugurar aqui uma seção neste instante batizada "Leitor da Casa do Chapéu" e nesse espaço eu gostaria de entrevistar um leitor X, sorteado a randomicamente, de acordo com a distância que está aqui desse escriba 171. Pode ser anonimamente, o objetivo é entender os anseios, as motivações, o sabor de chiclete preferido e os dissabores do leitor; e não saber quem é, o que faz ou quantos anos tem.
Caríssimo leitor de Mountain View, mesmo que sejas tímido, por favor me mande um email simplesmente se identificando e eu adoraria fazer-lhe perguntas sem propósito.
Caso o de Mountain View não entenda português, o de Anápolis, a de Londrina (ah, eu já sei quem é você! Mas dá uma bela entrevista) o de Little Rock, Arkansas, (Bill, is that you?), o de Montréal ou o de Dublin (Bono, again?) estão escalados desde já. Mandaí! Não fique tímido(a).
Yes this blog understands english but is lazy for translations.
Muito obrigado pela colaboração nesta ousada empreitada, que pode não dar em nada, pura e simplesmente.
felipemortara@gmail.com
Um menino chamado Adriano
Tinha os pés calejados, não usava sandália porque ao deixá-las na praia já tinha sido roubado certa vez, mesmo morando numa favelinha do Guarujá. Era igual, mas diferente. Viu vários amigos e colega perderem a guerra com o vício e o tráfico. Ouviu muita merda. Muito nego gorando, dizendo que não daria certo. Até que um cara chamado Álfio descobriu que se tratava de um diamante de 1,20m destruindo as marolas da Praia das Pitangueiras e que de uma lapidação poderia sugir algo precioso. Intuição de quem conhece.
Nessas, um cabra mais agilizado apelidado (injustamente?) Pinga assinou um contrato de patrocínio (quase) eterno com o garoto. Foi o mais jovem campeão do circuito de acesso ao WCT (elite mundial do surf) e até ontem ele era uma eterna promessa. Tive a chance de conviver um pouco com ele, conheço alguns defeitos, assim como um tanto de virtudes. Era o moleque que não tava na balada, que andava concentrado, com o iPod plugado na tecneira, que acordava antes que todo mundo, que assistia obsessivamente a vídeos de surf e que estudava movimentos. Médicos, fisiologistas, nutricionistas, preparadores, professor de inglês, tinha tudo isso à sua disposição. Foi sim um privilegiado de poder ter uma estrutura dessas, mas não foi o primeiro. Quem sabe tenha sido o primeiro que tenha sabido aproveitar.
Mas foi ontem que essa história começou a virar. O moleque cresceu, virou um pirulão, aprendeu muito. Nas águas geladas do País Basco, Adriano de Souza atropelou muita gente do quilate de Fred Patacchia, Taylor Knox e do Deus Robert Kelly Slater, na semi-final. Só isso já seria a glória, mas ele conseguiu ir além. E está em 3º no campeonato, não tão longe de Mick e Joel. Pode não ser esse ano que teremos o tão sonhado primeiro campeão brasileiro de surf, mas que tá mais perto do que nunca, isso tá.
Cada um assina como acha melhor
Quando assina uma obra, geralmente o artista dirige-se ao canto inferior direito e deixa ali alguma marca de identificação. Uma assinatura é o comum, mas pode ser um pequeno desenho, ou até impressão digital, enfãm, algo que faça com que aquela criação seja atribuída a ele. No já clássico Bastardos Inglórios, Quentin Tarantino resolveu assinar de outra forma (não, não é só com uma suástica) além dos jatos de sangue e do caráter humano até a última gota de crueldade (e por que não, pureza) de seus personagens. Através da voz de um personagem o filme se conclue, com Tarantino claramente assinando sua peça pelos dos lábios do ator (preciso mesmo falar quem?), que olha fundo para o espectador e afirma sem titubear:
- Acho que eu fiz a minha obra prima.
- Acho que eu fiz a minha obra prima.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Improviso country

Na mesma semana em que o Rio foi anunciado sede das Olimpíadas de 2016, também vazou o conteúdo da principal prova de qualificação para entrada na faculdade. O ENEM ganharia esse ano a mesma importância que exames como o Baccalauréat, que em países de língua francesa garante o acesso do estudante à universidade por meio das notas. Estava começando no País a transformação em um processo único, uma via de acesso supostamente mais democrática ao ensino superior. Não questiono nem a qualidade do exame, pois acho a iniciativa em si pertinente.
O que mais me incomodou nessa história do vazamento do ENEM não foi o fato de a prova ter sido roubada, a possibilidade de resultados anteriores serem questionados e nem mesmo a sacanagem com quem passou o ano todo estudando focado nisso. A pior parte disso é perceber que não conseguimos praticar o mínimo de seriedade necessária para ter credibilidade nem no mundo, nem com nós mesmo. Quando a euforia passar e o enorme trabalho necessário surgir pela frente talvez a gente perceba que por mais animadora que seja a idéia de ter uma olimpíada aqui (eu acho que vai ser bom), não será um evento de 20 e poucos dias que vai resolver séculos de cultura de improviso, corrupção e individualismo em detrimento do coletivismo.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Teste de VT 2 - O Retorno
Mais uma vez fui tentar arrumar um troco extra como ator. (A primeira roubada você pode lembrar aqui) Pô, embolsar dois pau num dia pra mostrar a carinha num comercial, só diria não quem cobra cachê mais alto que isso.
Enfim, a novidade agora é que tinha texto. Oh yes, tive que fingir pra mim mesmo que sei decorar. E atuar. Nem meu CPF eu sei direito. Na real eram dois roteiros, sendo um exclusivo para quem falasse inglês. Bom, considerei que isso dobrava as minhas chances, então se não pegasse o papel em língua mãe, pelo menos no embromation teria chances.
Em um dos roteiros interpretava (será que eu sei fazer isso?!?!) um aspone, que, sentado ao lado de um colega trabalhão observava o colega mais agilizado que atendia (em inglês) um tal Mr. Jobs ao telefone. Nós ficávamos intrigados e eu fingia digitar no Google o que queria dizer "job" e a partir daí tínhamos que improvisar um bate papo bobo. Pra você rir: o tal Jobs ao telefone era supostamente Steve Jobs e a propaganda era de uma faculdade de TI que ensina ínglichi também.
Mas o teste naufragou mesmo quando me lancei no idioma de Susan Boyle. Sentia-me como um candidato de show de calouros ali diante de uma diretora assaz interessante, do câmera e de um faz tudo. Ela bem que tentou me incentivar, descontrair. Eu descontrairia fácil num bar tomando uma com ela, mas ali o nervosismo predominava. Parece que ficou óbvio. Até eu começar a rir.
Minha cena: o celular toca, eu atendo e é ninguém menos que Mr. Gates. Aham, Bill Gates. Pronto, sentiu o nível da faculdade que eu poderia anunciar? Rachei o bico no ato. Tentei de novo, não conseguia para de rir. Concentrei, mentalizei, e depois do terceiro "of course I have experiences on large and medium companies, blablabla..." eu me rendi, a barriga doendo. Nem a gatinha da diretora aguentou, gargalhando ela levantou e me deu algumas coisas:
- A notícia óbvia de que eu não ia fazer aquele papel nem a pau;
- A notícia mais que óbvia que eu não tinha o menor futuro nesses testes;
- A notícia nada óbvia de que eu era o cara mais bem humorado que tinha feito o teste;
- A notíca mais que inusitada improbabilíssima que as risadas que ela deu valeram por muitos castings;
- O telefone dela.
Enfim, a novidade agora é que tinha texto. Oh yes, tive que fingir pra mim mesmo que sei decorar. E atuar. Nem meu CPF eu sei direito. Na real eram dois roteiros, sendo um exclusivo para quem falasse inglês. Bom, considerei que isso dobrava as minhas chances, então se não pegasse o papel em língua mãe, pelo menos no embromation teria chances.
Em um dos roteiros interpretava (será que eu sei fazer isso?!?!) um aspone, que, sentado ao lado de um colega trabalhão observava o colega mais agilizado que atendia (em inglês) um tal Mr. Jobs ao telefone. Nós ficávamos intrigados e eu fingia digitar no Google o que queria dizer "job" e a partir daí tínhamos que improvisar um bate papo bobo. Pra você rir: o tal Jobs ao telefone era supostamente Steve Jobs e a propaganda era de uma faculdade de TI que ensina ínglichi também.
Mas o teste naufragou mesmo quando me lancei no idioma de Susan Boyle. Sentia-me como um candidato de show de calouros ali diante de uma diretora assaz interessante, do câmera e de um faz tudo. Ela bem que tentou me incentivar, descontrair. Eu descontrairia fácil num bar tomando uma com ela, mas ali o nervosismo predominava. Parece que ficou óbvio. Até eu começar a rir.
Minha cena: o celular toca, eu atendo e é ninguém menos que Mr. Gates. Aham, Bill Gates. Pronto, sentiu o nível da faculdade que eu poderia anunciar? Rachei o bico no ato. Tentei de novo, não conseguia para de rir. Concentrei, mentalizei, e depois do terceiro "of course I have experiences on large and medium companies, blablabla..." eu me rendi, a barriga doendo. Nem a gatinha da diretora aguentou, gargalhando ela levantou e me deu algumas coisas:
- A notícia óbvia de que eu não ia fazer aquele papel nem a pau;
- A notícia mais que óbvia que eu não tinha o menor futuro nesses testes;
- A notícia nada óbvia de que eu era o cara mais bem humorado que tinha feito o teste;
- A notíca mais que inusitada improbabilíssima que as risadas que ela deu valeram por muitos castings;
- O telefone dela.
domingo, 4 de outubro de 2009
Se essa rua fosse minha

Nesses 50 anos de carreira do Rei, eu, fã assumido, acabo de arrecadar hoje mais um argumento para que uma grande via seja batizada com seu nome. Andava de carro aqui pela ZL, perto de umas ocupações quando dei de cara com uma via que homenageava o rei do reggae. Na Rua Bob Marley me dei conta da imensa injustiça que se comete contra o nosso Rei.
Eu, que ainda quero batizar alguma via com o apelido de um fiel amigo, me rendi à militância antiga que existia dentro de mim de conseguir batizar antes uma via com o nome do filho pródigo de Cachoeiro de Itapemirim. São detalhes essas burocracias na câmara dos vereadores para que seja enfim reconhecida sua importância. Agora é proibido fumar em todo lugar, mas não é proibido pleitear essa justa homenagem, afinal Elvis, o rei deles, tem 10 ruas com seu nome em todo o Brasil e você, nosso legítimo monarca dos cabelos alisados muito antes de inventarem a escova definitiva, é honrado apenas por um beco em Rondônia! Contra essa injustiça e para provar como é grande meu amor por você, Rei, eu começo hoje minha campanha formal para te colocar grafado em branco no alto de algum poste, com o fundo azul marinho de que tanto gostas.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Rio 2016 - já falaram de tudo
Quem tem Twitter já leu de tudo sobre a indicação do Rio como sede das Olimpíadas de 2016. Pronto, todas as sacadinhas, piadinhas, jogos de palavra já foram gastos. Re-twittei alguns, mas não vou nem me dar ao trabalho de listar nada. Teremos 7 anos de piadinhas, trocadalhos de trem-bala com bala perdida, de salto com assalto, novas modalidades tipo arremesso de corpo do morro, etc... E outras sacadas do nivel "é ponto facultativo no Rio até 2016", "aulas de como evitar assaltos e arrastões para gringos" e até "10 passos para uma bala perdida não te encontrar". Só pra dar uma idéia, o maior trendig topic, que é uma espécie de termometro sobre os assuntos mais comentados pelo mundo todo no Twitter, era "Yes We Créu", troca-troca infame (eu achei divertido, sim!) de palavras com o slogan do Obama e o imortal funk-literário. Enfãm, preparem-se para anos de enxurrada de piadas e baboseiras a respeito.
Ah, lembrei que escrevi isso aqui há quase 2 anos, quando anunciaram o local da Copa 2014. Por falta de opinião concreta a respeito sobre o tema (e um pouco de preguiça, confesso) pego os meus lamentos de 2007 e requento. Bom final de semana a todos, porque eu, ao contrário dos cariocas, trabalharei no domingo.
Ah, lembrei que escrevi isso aqui há quase 2 anos, quando anunciaram o local da Copa 2014. Por falta de opinião concreta a respeito sobre o tema (e um pouco de preguiça, confesso) pego os meus lamentos de 2007 e requento. Bom final de semana a todos, porque eu, ao contrário dos cariocas, trabalharei no domingo.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Dejà vu?
Não que Angus Young tenha algo a ver com The Edge, mas o AC/DC tá se anunciando a reencarnação do U2, pelo menos no quesito 'pesadelo para comprar ingresso'.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
E tudo se acaba na quarta-feira

Eu adoro essa parte de A Felicidade, do Tom. Mas tenho percebido que, na real, tudo se acaba na segunda-feira, porque fim de semana é hoje uma espécie de pote de ouro no fim do meu arco-íris. Uma raridade, quase um carnaval.
Em 2006 a HBO pariu uma série de produção nacional batizada Filhos do Carnaval, que narra competentemente a história de um bicheiro, de sua escola de samba, de sua família e da complexa engenhoca de emoções turbinada por um repique de realidade cruel do submundo carioca. Tipo assim, Brasil pra caralho.
Por aí o que você mais vê é comparação com seriado de máfia, chamando de "Família Soprano Tupiniquim", coisas do tipo. Só que esse enredo consegue muito mais que isso, pois transparece nos seus diálogos e tons nuances do que somos como brasileiros, tanto nas vontades, como nos valores.
Essa semana eles estão reprisando (HBO 22hs; HBO2 20hs) os episódios antigos para estrear os novos na semana que vem. Infelizmente não saiu DVD, o que me deixa louco, pois é a única série que eu queria ter na gaveta. Atuações empolgantes de Thogum e Jece Valadão, que brilhou como o protagonista na primeira temporada. Agora, lá do segundo andar, ele vai assistir sentadinho a continuação. Quem viu me disse que tá perturbadoramente mais vibrante.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Esquizofrenia beatlemaníaca
O Café PiuPiu é mais velho que eu. Mas eu só fui pela 1ª vez ontem, like a virgin for the very first time. Bem agradável o pico, meio cheio demais e pouca gente pra atender, mas não é disso que falam essas linhas. O lance é que estava tocando o Zoom Beatles, cover competente dos Liverpool Boys. O som era ótimo, e, mesmo eu não sendo um mega fanático do ieieiê deles, curti demais. Daí eu me peguei pensando no que esses figuras da Paulicéia com cabelo de cuia têm que passar para poder fazer o trabalho deles.
Pô, o corte capilar é completamente anacrônico, o figurino imita o das capas dos discos. Tudo bem que é só pro show, mas por mais amante que o cara seja da banda, não dá pra se sentir muito sério vestindo 200 vezes num ano uma roupa do Sgt. Pepper´s Lonely Heart Club Band. No palco se tratam por Paul, Ringo, George e John, mas devem ter nomes como Fernando, Ricardo, Marcos e Rodrigo. Complicado você ser o Ricardo e ter que virar John toda noite em cima de um palco. Ou ser Fernando e se transmutar num George Harrison encarnado ali para aquelas pessoas que pagaram para ver algo que não verão "jamé". E fora que viver essa vida de Tarso Cadore full time, deve dar cada sonho assustador...
Pô, o corte capilar é completamente anacrônico, o figurino imita o das capas dos discos. Tudo bem que é só pro show, mas por mais amante que o cara seja da banda, não dá pra se sentir muito sério vestindo 200 vezes num ano uma roupa do Sgt. Pepper´s Lonely Heart Club Band. No palco se tratam por Paul, Ringo, George e John, mas devem ter nomes como Fernando, Ricardo, Marcos e Rodrigo. Complicado você ser o Ricardo e ter que virar John toda noite em cima de um palco. Ou ser Fernando e se transmutar num George Harrison encarnado ali para aquelas pessoas que pagaram para ver algo que não verão "jamé". E fora que viver essa vida de Tarso Cadore full time, deve dar cada sonho assustador...
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Sabiduria popular country
Se tem uma coisa que eu sempre achei espontânea apesar de só ter ido a um mísero rodeio na minha vida são aqueles versos que os locutores de chapéu declamam com empolgação quase cínica no centro da arena pra fazer rir e levantar a galera. Aquilo é Brasil. Tudo versinho óbvio, com temáticas clichês, mas completamente pertinentes : corno, muié, cachaça, touro, malandragem.
Sou péssimo para lembrar piadas e também esses versinhos de rodeio. Só sei um, que venho repetindo a vida toda. "Ô morena do cabelo comprido, maioooor que seu cabeeeeeelo só o chiiiiiifre do seu mariiiiiido."
Bom, mas agora eu resolvi dar uma garimpada e colocar umas boas por aqui:
Os cowboys gostam de festa e de muita folia
Quando vamos pro bailão só paramos no raiar do dia
Beber cerveja bem gelada é nossa mania
Mas se só tiver cachaça bebemos com a mesma alegria
Boi magro e mulher santa com a gente não se cria
Porque nois gosta é de muito boi gordo e putaria
Eu conheço uma cidade, uma cidade que reluz
De dia falta água e de noite falta luz
Se lá tiver alguma mulher virgem é milagre de Jesus!!
O homem faz coisas que até Deus duvida
Já faz muito tempo que eu estou nesta vida
Rodeio,cachaça,muié,viola e briga
Porta de buteco e casa de rapariga
Garrafa destampada e muié de perna pra riba!!
Meu quarto de milha é preto
Meu manga larga é baio
Quando eu entro no rodeio
Dificilmente eu saio
Dinheiro eu ganho bastante
Trago dentro de um balaio
Tenho loira de namorada
E morena de quebra gaio
Do milho eu faço a pipoca
E da palha eu o colchão
A morena eu amo na palha
E a loira eu amo no chão
Carro bom é Santana
Cerveja gostosa tem que ser brahma
Mulher bonita tem que ser Goiana
Boi que pula rodando, mulher que faz amor gritando
É porque tem sempre um peão por cima cutucando.
Telefone é preto, mas não é café
Eu sou bom de bola e também no pé
Tô Chegando no Rodeio de Avaré
Mandando um abraço pros home e uns beijo pras Muié...
O mulher não sei devo não sei posso
Te levar pra cama e apertar seus ossos
Pra fazer um filho e falar que é nosso
Cuiabá tem subida, Cuiabá tem descida, Cuiabá tem loira e morena da minha vida.
Nasci no dia nove, nove vezes fui casado, tive nove sogro, nove lar abandonado, no dia nove encontrei nove cabouco armado, dei nove tiro pra cima, fiz correr nove cunhado.
Da galinha eu tiro a pena, do peixe eu tiro a escama, da morena eu tiro a roupa, depois levo ela pra cama. (Esse é clássico)
Sou péssimo para lembrar piadas e também esses versinhos de rodeio. Só sei um, que venho repetindo a vida toda. "Ô morena do cabelo comprido, maioooor que seu cabeeeeeelo só o chiiiiiifre do seu mariiiiiido."
Bom, mas agora eu resolvi dar uma garimpada e colocar umas boas por aqui:
Os cowboys gostam de festa e de muita folia
Quando vamos pro bailão só paramos no raiar do dia
Beber cerveja bem gelada é nossa mania
Mas se só tiver cachaça bebemos com a mesma alegria
Boi magro e mulher santa com a gente não se cria
Porque nois gosta é de muito boi gordo e putaria
Eu conheço uma cidade, uma cidade que reluz
De dia falta água e de noite falta luz
Se lá tiver alguma mulher virgem é milagre de Jesus!!
O homem faz coisas que até Deus duvida
Já faz muito tempo que eu estou nesta vida
Rodeio,cachaça,muié,viola e briga
Porta de buteco e casa de rapariga
Garrafa destampada e muié de perna pra riba!!
Meu quarto de milha é preto
Meu manga larga é baio
Quando eu entro no rodeio
Dificilmente eu saio
Dinheiro eu ganho bastante
Trago dentro de um balaio
Tenho loira de namorada
E morena de quebra gaio
Do milho eu faço a pipoca
E da palha eu o colchão
A morena eu amo na palha
E a loira eu amo no chão
Carro bom é Santana
Cerveja gostosa tem que ser brahma
Mulher bonita tem que ser Goiana
Boi que pula rodando, mulher que faz amor gritando
É porque tem sempre um peão por cima cutucando.
Telefone é preto, mas não é café
Eu sou bom de bola e também no pé
Tô Chegando no Rodeio de Avaré
Mandando um abraço pros home e uns beijo pras Muié...
O mulher não sei devo não sei posso
Te levar pra cama e apertar seus ossos
Pra fazer um filho e falar que é nosso
Cuiabá tem subida, Cuiabá tem descida, Cuiabá tem loira e morena da minha vida.
Nasci no dia nove, nove vezes fui casado, tive nove sogro, nove lar abandonado, no dia nove encontrei nove cabouco armado, dei nove tiro pra cima, fiz correr nove cunhado.
Da galinha eu tiro a pena, do peixe eu tiro a escama, da morena eu tiro a roupa, depois levo ela pra cama. (Esse é clássico)
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